Muitos e variados são os registos da raça ao longo dos últimos séculos, no entanto a origem do cão de Castro Laboreiro - assim como a de todos os mastins da Peninsula Ibérica - é desconhecida de todos. O tipo de utilização e o isolamento da região levaram ao aparecimento de uma animal com bastante homogeneização e identidade fenotípica que o diferenciam das raças existentes de tronco comum.

Esta raça autóctone multissecular foi seleccionada de forma empírica ao longo de séculos no sentido de escolher um cão-tipo que fosse ao encontro das necessidades da família/população: a companhia, a defesa da casa e dos bens animais da família.

Este mastim ligeiro, apesar dos traços genéticos comuns com os seus parentes espalhados pela Peninsula Ibérica, apresenta uma genética singular, conforme se pode constatar por alguns estudos de MtDNA (DNA mitocondrial das fêmeas), como o realizado em Portugal pelo IPATIMUP (MtDNA diversity among four Portuguese autochthonous dog breeds: a fine-scale characterisation)) onde a raça é destacada pelos investigadores. Ver estudo.

Considerando as raças de guarda e pastoreio da Peninsula Ibérica, o cão de Castro Laboreiro é com toda a certeza uma das mais antigas.

É importante referir que os cães de guarda e/ou pastoreio eram pouco conhecidos fora do seu habitat natural, e não eram referidos como raças devido à sua enorme heterogeneidade. A maior parte das raças de guarda e pastoreio não apresentam registos anteriores a 1900. Muitas foram mesmo criadas pela canicultura, no final do século dezanove (pioneiros: Alemanha,Inglaterra, etc) e já durante o século vinte, normalmente oriundas de populações de cães de trabalho existentes em determinada regiões.

Vejamos alguns subsídios históricos. Em 1935 o veterinário Manuel Marques, um dos pioneiros da canicultura em Portugal acompanhando as modas da Europa, desloca-se a Castro Laboreiro para elaborar e publicar o 1º Estalão da raça.

Em 1920, o jornal de Castro Laboreiro, "A Neve", publicita anúncios de interessados em comprar cães de Castro Laboreiro, “da verdadeira raça”, como referem.

Em 1914 realiza-se o 1º Concurso Tradicional [Rodrigues, Américo: 2002, "Subsídios documentais do cão de Castro Laboreiro"] ou “Prémio” da raça no lugar da vila de Castro Laboreiro. Tal “Prémio” continua a realizar-se todos os anos, no dia 15 de Agosto às 14:30, sendo um dos concursos caninos mais antigos de Portugal. O padre Aníbal Rodrigues, nascido em Castro, defensor acérrimo e apaixonado da raça, patrocinou o concurso tradicional da raça, desde 1955, até ao ano da sua morte (10 de Março de 2003).

No século XIX, o notável escritor Camilo Castelo Branco, profundo conhecedor do Minho e das suas gentes, no seu livro Brasileira de Prazins, conhece a raça, e eterniza-a, enaltecendo as suas qualidades de guarda e de fidelidade aos donos: “…As coronhadas e as intimações ameaçadoras repetiam-se. Uma algazarra de Inferno. Vozes roucas pediam machados e ferros do monte. A Senhorinha, muito esganiçada, expectorava agudos ais na cozinha; não acertava a enfiar o saiote pelo direito. Os cães de Castro Laboreiro, muito ferozes, arremetiam às portas com a dentuça refilada. Porcos grunhiam dando bufidos espavoridos. A moça dos recados chamava a sua Mãe Santíssima e a alma da tia Jacinta do Reimundles, que estava inteira na igreja…”.

Nesta data, ainda não existe Canicultura em Portugal, mas os vários registos escritos, já referem claramente o cão de Castro Laboreiro como raça velha, devido à sua homogeneidade. Nas raças mais comerciais dos nossos dias e, se tivermos em atenção essa época, tais dados são raros, ou não existem, e por vezes os que são escritos, são puras invenções dos amantes das novas raças, preocupados com a sua ancestralidade.
Pela sua nobreza e função, vários testemunhos orais e escritos, ao longo dos últimos séculos, referem que os Castrejos, vendiam e ofereciam cães com estimado valor, como companhia e guarda. O cão fora do seu Solar foi quase sempre animal de estimação de gente rica e/ou letrada.

O cão de Castro Laboreiro - até há pouco anos - só era criado na freguesia de Castro Laboreiro (forja única e que parecia inesgotável), por isso, os seus efectivos sofreram um agravamento vertiginoso em termos quantitativos e qualitativos a partir da segunda metade da década de setenta, devido à desertificação da região e ao abandono da pastorícia tradicional, o que têm feito perigar a sobrevivência desta raça autóctone.

No entanto, os últimos tempos são de esperança. Além de ser património cultural inegável, o cão de Castro Laboreiro, é um dos maiores ícones da região.

O cão de Castro Laboreiro é conhecido pela sua Rusticidade, Carácter e Nobreza, desde tempos idos.